O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou nesta terça-feira (17) que as forças israelenses mataram o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, em um bombardeio noturno na capital Teerã. A informação, no entanto, não foi confirmada por fontes oficiais iranianas até o momento.
Em uma mensagem de vídeo divulgada na manhã desta terça, Katz declarou: "O comandante do Estado-Maior acaba de me informar que Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, e Gholamreza Soleimani, chefe dos Basij, o principal aparelho repressivo do Irã, foram eliminados durante a noite". O ministro acrescentou que Israel continuará "caçando" a liderança do regime iraniano.
Horas depois, o Exército israelense anunciou de forma oficial que matou Larijani em um bombardeio de precisão, classificando-o como "líder efetivo do regime iraniano" desde a morte do líder supremo Ali Khamenei, em 28 de fevereiro.
O Irã não confirmou a morte de Larijani nem se pronunciou publicamente sobre o bombardeio até o momento. Agências estatais iranianas compartilharam por volta das 6h30 (horário de Brasília) uma mensagem manuscrita atribuída a Larijani, mas que não menciona o bombardeio. O texto, que fala sobre soldados da Marinha iraniana mortos na guerra, tem a data desta terça-feira (17), porém não se sabe ao certo quando ele foi escrito.
A imprensa estatal iraniana não fez qualquer comentário imediato sobre as declarações de Katz, mantendo silêncio oficial sobre o ocorrido.
Quem era Ali Larijani
Ali Larijani é uma das figuras mais poderosas do regime iraniano e acumulou ainda mais poder recentemente em meio à guerra que o Irã trava com os EUA e Israel nas últimas semanas. Sua influência cresceu ainda mais após o assassinato de Ali Khamenei e de outras autoridades iranianas nos bombardeios iniciais do conflito.
Nascido no Iraque em uma proeminente família iraniana, Larijani ascendeu na hierarquia do regime após a revolução de 1979, combinando uma trajetória na Guarda Revolucionária Islâmica com altos cargos governamentais. Foi chefe negociador nuclear do Irã entre 2005 e 2007, presidente do Parlamento iraniano entre 2008 e 2020, e retornou à liderança do Conselho Supremo de Segurança Nacional em 2025, colocando-se no centro da resposta iraniana à guerra.
Larijani foi visto em público pela última vez na sexta-feira (13), quando participou de manifestações nas ruas do Irã para celebrar o Dia de Al-Quds. Na semana passada, ele também ameaçou o presidente dos EUA, Donald Trump, dizendo: "Cuidado para não ser eliminado".
A morte do comandante da Basij
Diferentemente da incerteza em torno de Larijani, a morte de Gholamreza Soleimani, comandante da milícia Basij, foi confirmada pelas Forças de Defesa de Israel. Segundo o comunicado israelense, Soleimani foi alvejado enquanto estava com oficiais superiores em um quartel-general improvisado, montado em tendas após a destruição do quartel-general oficial em bombardeios anteriores.
A milícia Basij é uma força paramilitar voluntária subordinada à Guarda Revolucionária Islâmica, frequentemente utilizada para reprimir protestos internos no Irã. Segundo as forças israelenses, Soleimani atuava como comandante da unidade há cerca de seis anos e era considerado um "instrumento fundamental" de repressão no país.
O vice-comandante da Basij, Seyyed Karishi, também teria sido morto em um ataque aéreo em Shiraz, de acordo com as Forças de Defesa de Israel .
Os bombardeios noturnos
Israel tem realizado bombardeios diários ao território iraniano, principalmente contra Teerã, desde o início da guerra. O Exército israelense afirmou ter feito ataques aéreos "em larga escala" contra a capital iraniana pouco antes das 23h de segunda-feira (16), no horário de Brasília .
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, tenente-general Eyal Zamir, falou em "conquistas significativas" nos bombardeios noturnos, com potencial para influenciar o rumo da guerra contra o Irã. "As Forças de Defesa de Israel continuam a agir com determinação contra múltiplos alvos no Irã. Conquistas preventivas significativas foram registradas durante a noite, com potencial para influenciar os resultados operacionais e as missões das FDI", afirmou Zamir em comunicado.
O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, divulgou uma foto do premiê ao telefone com a legenda: "O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordena a eliminação de figuras graduadas do regime iraniano".
A reação internacional
O presidente americano, Donald Trump, afirmou que as instalações militares e o regime do Irã foram destruídos, que o país não tem mais "mísseis para usar", nem "tiros para dar". Segundo ele, a operação militar segue com "força máxima". O republicano disse ainda que recebeu propostas de negociar, mas que não sabe quem governa o país, já que Mojtaba Khamenei ainda não fez nenhuma aparição pública desde que assumiu como líder supremo.
Trump reiterou as dúvidas sobre o estado de saúde do novo líder supremo. Nesta segunda (16), o jornal inglês The Telegraph informou que Mojtaba Khamenei escapou por "segundos" do mesmo ataque que matou sua mulher, um dos filhos e seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, além de outros membros da família.
Os próximos passos da guerra
Especialistas em geopolítica do Oriente Médio avaliam que a intensificação dos bombardeios israelenses contra a liderança iraniana indica uma mudança na estratégia de Tel Aviv. Em vez de mirar apenas infraestruturas militares e energéticas, Israel parece estar concentrando esforços em eliminar fisicamente a cúpula do regime.
"O que estamos vendo é uma campanha de decapitação do governo iraniano", afirmou o analista de segurança internacional Michael Horowitz, em entrevista à Al Jazeera. "Israel está testando os limites da capacidade do Irã de absorver perdas em sua liderança. A questão é até onde Teerã pode ser pressionado antes de responder com algo ainda mais grave".
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, voltou a pedir um cessar-fogo imediato, alertando para o risco de o conflito se expandir para outros países da região. "A cada dia que passa, a possibilidade de uma guerra regional total se torna mais real. Peço a todas as partes que interrompam os combates e voltem à mesa de negociação", declarou Guterres em pronunciamento.
Os Estados Unidos, por sua vez, mantêm sua posição de apoio incondicional a Israel. O porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller, afirmou que "Israel tem o direito de se defender" e que os EUA continuarão fornecendo inteligência e apoio logístico às operações.
Enquanto Israel comemora o que chama de "conquistas significativas", o Irã enfrenta o desafio de recompor sua liderança em meio à guerra. A falta de confirmação oficial sobre a morte de Larijani mantém o regime em um limbo informativo, mas a ausência pública do líder nos últimos dias reforça as suspeitas de que ele realmente tenha sido eliminado.
O conflito completa três semanas sem sinais de arrefecimento. O Estreito de Ormuz segue praticamente fechado, mantendo o preço do petróleo acima dos US$ 100 por barril e pressionando a economia global. Mais de 3 mil pessoas já morreram no Irã, segundo ativistas de direitos humanos, e centenas de milhares foram deslocadas no Líbano.
Para analistas, o prolongamento da guerra aumenta os riscos de uma escalada ainda maior, envolvendo outros atores regionais e transformando o conflito em uma conflagração de proporções imprevisíveis. Por enquanto, no entanto, as declarações de ambos os lados indicam que os combates estão longe de terminar.
