Como backup na nuvem expôs esquema de R$ 1,6 bilhão envolvendo MC Ryan SP e Poze do Rodo

Dados extraídos do iCloud de contador permitiram mapear o fluxo financeiro entre empresas de fachada, influenciadores e artistas presos

 

Arquivos recuperados do iCloud de Rodrigo de Paula Morgado, contador do grupo, serviram como base para o mapeamento que desarticulou uma organização suspeita de movimentar R$ 1,6 bilhão. A operação foi revelada nesta quarta-feira (15) e resultou na prisão temporária dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de influenciadores como Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias.

A investigação é um desdobramento das operações Narco Vela e Narco Bet, deflagradas em 2025. Ao analisar o material apreendido com Morgado no ano passado, peritos da Polícia Federal identificaram uma estrutura “autônoma e dissociada” da anterior, voltada exclusivamente à lavagem de capitais em larga escala.

O backup armazenado na nuvem continha extratos, contratos, registros de empresas de fachada e conversas que detalhavam como recursos de origem ilícita — como tráfico internacional de drogas e estelionato digital — eram reinseridos na economia formal.

O papel dos envolvidos

De acordo com o g1, a Polícia Federal aponta que o esquema funcionava a partir da mistura de receitas legítimas, como shows e publicidade, com valores oriundos de apostas ilegais e rifas clandestinas:

  • MC Ryan SP: apontado como um dos líderes e principais beneficiários. Teria utilizado empresas de produção musical para ocultar patrimônio e reinvestir valores em ativos de luxo. Na residência do artista, foi apreendido um colar com a imagem de Pablo Escobar.

  • MC Poze do Rodo: identificado como integrante da estrutura de circulação de recursos. Empresas ligadas ao cantor foram alvo de bloqueios judiciais por suspeita de fragmentação de dinheiro.

  • Raphael Sousa (Choquei): investigado como um “operador de mídia”. Segundo a PF, ele recebia valores para promover conteúdos favoráveis aos envolvidos e mitigar crises de imagem da organização.


Foto: Reprodução/Instagram
 

As defesas de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo afirmam que as transações financeiras dos artistas são lícitas e que ainda aguardam acesso integral aos autos, que correm sob sigilo. A Polícia Federal agora concentra esforços na análise de novos dispositivos eletrônicos e HDs apreendidos nesta semana.

Por que o iCloud foi importante?

O cruzamento de dados armazenados na nuvem permitiu à Polícia Federal correlacionar extratos bancários, registros societários, contratos e diálogos entre os envolvidos. O material foi essencial para rastrear o fluxo financeiro e identificar vínculos diretos entre a organização e documentos fiscais relevantes para a investigação.

Na prática, o backup funcionou como um mapa detalhado da estrutura criminosa, revelando conexões entre operadores financeiros, empresas de fachada, influenciadores e artistas. A confiança do contador na segurança do sistema acabou permitindo o rastreamento completo da hierarquia e das transações do grupo.

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