Gel brasileiro reduz em 85% o uso de água no combate a incêndios e vira aposta no campo

Entenda a ciência por trás do biogel nacional que cria barreiras térmicas e preserva recursos hídricos.

 

Em um cenário onde as mudanças climáticas intensificam a frequência e a gravidade das queimadas, a tecnologia surge como o principal reforço para as emergências. A mais nova aposta vem do empreendedorismo nacional, um gel retardante de chamas, desenvolvido por um brasileiro, que promete ser até cinco vezes mais eficiente que o uso exclusivo de água no combate ao fogo. Diferente dos métodos tradicionais, a inovação foca na aderência e no resfriamento prolongado

Embora a água seja o recurso padrão, ela apresenta limitações físicas severas em incêndios de grandes proporções ou em materiais de difícil absorção. Quando lançada sobre o fogo, grande parte da água evapora antes de atingir a base das chamas ou escorre pela superfície sem resfriar o combustível.

O produto, ao ser misturado com água, forma uma camada protetora sobre a vegetação. Essa barreira potencializa a eficácia do controle das chamas e contribui para impedir a sua disseminação, retendo a umidade por mais tempo.  “A gente desenvolveu um gel capaz de apagar um incêndio mais rápido, usando menos água. Ele é biodegradável, atóxico e seguro”, explica José Yago ao G1.


Foto: Reprodução/PENG


A trajetória do projeto reforça o potencial do Brasil no setor de tecnologia ambiental.  Muitos retardantes químicos utilizados no passado deixavam resíduos que contaminam o solo e os lençois freáticos. A nova aposta brasileira foca na sustentabilidade, permitindo que o gel seja absorvido pela natureza após a chuva ou a lavagem, sem prejuízos ao ecossistema.

O produtor Vicente Henrique de Albuquerque, implementou o biogel em suas plantações, e relata uma mudança drástica na gestão de riscos. Para o setor sucroenergético, onde o fogo pode consumir meses de investimento em poucos minutos, o gel atua não apenas como extintor, mas como uma ferramenta de preservação.

O combate tradicional a incêndios de grandes proporções, como em uma área do tamanho de um campo de futebol, exige um custo altíssimo em termos de recursos hídricos. Demanda cerca de 50 mil litros de água, volume que muitas vezes não é suficiente devido à rápida evaporação em climas secos e quentes. Utilizando o biogel o volume despenca para 7 mil litros, uma economia de 85%.

Com uma fábrica capaz de produzir 20 mil litros por mês, a startup comercializa galões de 20 litros por cerca de R$ 2 mil. Após faturar R$ 150 mil em 2025, a empresa projeta um salto para R$ 2 milhões em 2026, impulsionada por novas certificações e parcerias internacionais.

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